Uma exposição de obras de 5 cm pede que o visitante chegue perto. No AR · Acervo Rotativo, as 400 obras ficam em molduras e caixas de acrílico: dá para encostar o nariz, mas a mão fica de fora. Por isso chama atenção o que estava no meio da montagem do SESI Campinas. Num tampo amarelo, sem caixa nem moldura, cinco barcos de madeira e uma etiqueta com braile.

A peça se chama Embarcações, de Ana Takenaka, e a etiqueta a classifica como obra tátil. A exposição já saiu de cartaz, mas o caso ajuda a entender o que é uma exposição tátil, e o que ela pede de quem organiza uma mostra. O tour que registra a montagem está no case do AR · Acervo Rotativo em Campinas.

O que é uma exposição tátil

É uma exposição, ou parte dela, com peças feitas para serem conhecidas pelas mãos. O público principal são as pessoas com deficiência visual, mas o toque interessa a qualquer visitante. Em geral, a peça vem com etiqueta em braile, e alguns museus somam piso tátil e audioguia.

Em São Paulo, um exemplo conhecido é a Pinacoteca. Segundo a página de acessibilidade do museu, a galeria de esculturas do Pina Luz foi pensada para que visitantes com deficiência visual apreciem a arte com autonomia.

A base legal é a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146). O artigo 42 garante à pessoa com deficiência o acesso a “bens culturais em formato acessível”.

O AR em Campinas fica num caso intermediário: uma mostra feita para os olhos, com uma obra para as mãos no meio dela. Para a instituição, é um começo possível: uma peça bem colocada, com etiqueta em braile.

Embarcações, de Ana Takenaka

A obra são cinco barcos montados com blocos de madeira, em tons que vão do marrom escuro ao claro, alguns listrados. A forma é simples de reconhecer: casco, mastro, cabine. Uma peça tem uma vela curva, outra empilha três blocos sobre um casco comprido.

A etiqueta dá uma pista da ideia ao listar a escala: 5, 10, 15, 20 e 25 cm. A menor medida é o limite das 400 obras do acervo. A maior é cinco vezes isso. Embarcações não entra na contagem das 400. Ela acompanha a coleção como obra tátil, e fica sobre um tampo central entre duas faces de biombo.

Cinco barcos de madeira de tons diferentes sobre um tampo amarelo, entre duas faces de biombo com cubos de acrílico, e a etiqueta branca da obra tátil na parede de pinus ao fundo
No centro da mostra · o tampo amarelo entre dois biombos

A etiqueta em tinta e braile

A etiqueta está colada no pinus, logo acima das peças. Traz seis linhas em tinta: Acervo Rotativo - Obra Tátil, artista, título, material, escala e ano. Na mesma folha, o braile vem em relevo.

Parece um detalhe, mas é o que abre a obra a quem não enxerga. Uma peça tátil sem etiqueta em braile depende de alguém para dizer o que ela é. Com ela, o visitante que lê braile pode se orientar sozinho.

Etiqueta branca sobre pinus com o texto Acervo Rotativo, Obra Tátil, artista Ana Takenaka, título Embarcações, material madeira, e pontos de braile em relevo
Etiqueta · tinta e braile na mesma folha

Quem assina a acessibilidade

O painel de créditos da mostra traz uma linha própria para isso: Acessibilidade/Peças táteis, com o nome de Ana Takenaka. O educativo vem em outro bloco, sob gestão da AEP Arteducação Produções, com supervisão e educadoras nomeadas. Os dois blocos estão no fim deste texto.

Faz sentido que o educativo tenha lugar no painel. No Espaço Galeria SESI-SP, projeto que trouxe a mostra a Campinas, cada exposição tem ações educativas próprias.

Para quem organiza uma exposição, a lição é prática: acessibilidade precisa de uma pessoa responsável, com nome no crédito, e de um lugar na planta. Em Campinas, a peça ficou entre os biombos, no percurso comum, e não num canto separado.

Laerte Ramos e Natacha Janus: um acervo para chegar perto

O AR · Acervo Rotativo foi concebido pelo artista Laerte Ramos e pela produtora cultural Natacha Janus. Laerte é conhecido pela gravura e por grandes instalações em cerâmica, e assina a curadoria. Natacha assina a concepção e a produção com a Studium Generale. O texto da exposição é dos dois.

Esse texto pede um tipo de atenção que combina com a obra tátil. Ele fala de “olhar para dentro, desse pequeno universo, de ouvir, de sentir e de olhar também para o próximo”. A frase é de Natacha Janus e Laerte Ramos, e está no painel de parede e na tela Sobre do tour.

A regra do acervo, obras de até 5 cm doadas pelos artistas, trata todos os participantes por igual. A obra tátil leva a mesma ideia ao público: quem não enxerga as obras também tem uma peça para conhecer. A história do projeto está em AR · Acervo Rotativo, e a montagem, em exposição no SESI Campinas.

Tela Sobre em fundo cor de papel, com o cartaz da mostra, os dados de local e curadoria e o texto curatorial [ Ar: Acervo Rotativo ] completo
Sobre · o texto curatorial inteiro no tour

O que o tour registra, e o que ele não alcança

No tour de Campinas, Embarcações está na Vista 05. O visitante vê a posição da peça na montagem, a etiqueta na parede e os biombos ao redor.

O toque fica fora, claro. Um tour é visual, e nenhum 360° substitui a mão sobre a madeira. O que ele guarda é a memória de como a obra foi apresentada, útil para quem pesquisa ou planeja outra mostra.

Tour na Vista 05, com as peças de madeira de Embarcações no tampo central, a etiqueta na parede, o mini-mapa e a faixa de vistas embaixo
Vista 05 · a obra tátil no tour

Para o público com baixa visão, ajuda poder aproximar a imagem até ler as etiquetas das obras. Para quem não enxerga, o recurso certo é a audiodescrição. Em Herança Compartilhada, as 27 obras têm audiodescrição em três idiomas, como conta o post sobre audioguia no tour 360°.

Faixa de etiquetas aproximada no tour, com o texto de cada obra legível, os colchetes das obras acima e o mini-mapa indicando Vista 28, Agrupamento C
Zoom · a etiqueta legível dentro do tour

Acessibilidade também no tour

Se a sua exposição tem peças táteis, braile ou audiodescrição, o tour pode registrar esses recursos e somar outros. Veja o que fazemos em tour virtual para museus e exposições. O tour é publicado em até 7 dias úteis depois da captura. Fazer orçamento (abre em nova janela)

Créditos do AR · Acervo Rotativo em Campinas

Ficha completa da edição do SESI Campinas Amoreiras, com acessibilidade e educativo, como no painel de créditos da mostra.

Exposição

Curadoria
Laerte Ramos
Concepção e produção
Natacha Janus / Studium Generale
Texto da exposição
Natacha Janus & Laerte Ramos
Projeto de expografia
Studium Generale
Produção da expografia
M&L Cenografia
Acessibilidade/Peças táteis
Ana Takenaka
Fotografia das obras
Helena Marc e Studium Generale
Designer gráfico
Studium Generale
Montagem da exposição
Ludmila Quilula
Assessoria de imprensa
Erico Marmiroli

Educativo

Gestão
AEP Arteducação Produções
Supervisão técnica
Edna Y. Onodera
Supervisão educadores
Joseph Motta
Educadoras
Jéssica Sousa Faria
Luciana Pontes

SESI Campinas Amoreiras

Diretor do Centro de Atividades
André Luis Martins da Silva
Gerente administrativo financeiro
Daniel Pastre Ramos
Coordenação de Qualidade de Vida
Rodolfo Groppo Martin
Orientadora de qualidade de vida
Denise Belluchi
Orientadora de artes cênicas
Amanda Stahl Homem de Bittencourt
Mediadora cultural
Gabriela Letícia Ramos
Operador técnico de teatro
André Andrade Mesquita
Danilo Zavarezi Braga
Orientadora de público
Valeria Sayuri da Silva Oda
Assistente de comunicação
Rebeca Monteiro de Jesus Lazarini

SESI-SP · Cultura

Gerente executiva de cultura
Débora Viana
Supervisor técnico de cultura
Luis Davi Gambale
Analista de serviços administrativos
Isabela Martos Paes Capatti
Supervisor de gestão de projetos culturais
Jonatas Willian de Oliveira Sousa
Analistas de atividades culturais
André Luiz Porto Salvador
João Edson Martins

SESI-SP · Núcleo de Contratações Culturais

Analistas de serviços administrativos
Aina Margot da Silva
Douglas Miranda Ferreira
Eduardo Viegas Cerigatto
Ione Augusta Barros Gomes
Jonatã Ezequiel de Menezes da Silva
Júlio César de Araújo
Kielcimara de Almeida Nascimento
Michele Araújo da Silveira
Assistente de apoio administrativo
Gabriel Vicente

SESI-SP · Equipe de Artes Visuais e Audiovisual

Analistas de atividades culturais
Elder Baungartner
Eliana Garcia
Larissa Lanza
Estagiária
Rayssa Rafaela de Lima Sobrinho

SESI-SP · Núcleo de Memória Cultural

Analistas de atividades culturais
Josilma Gonçalves Amato
Thais dos Anjos Bernardo
Estagiárias
Julia Roll Silva
Nathaly Fernandes Souza

SESI-SP · Comunicação

Diretora executiva de marketing e comunicação corporativa
Ana Claudia Fonseca Baruch
Gerente de marketing e comunicação corporativa
Leticia Martins Acquati
Direção de criação
Bruno Bertani
Gerente de planejamento digital
Rafael Queirós
Gerente de imprensa
Rose Matuck
Coordenadora de comunicação e marketing
Mariana Soares
Analista de comunicação
Karina da Costa Santos
Estagiários
Klelvien Cabilo Arcenio
Laura Maluf

SESI-SP · Departamento Regional de São Paulo

Presidente
Josué Christiano Gomes da Silva
Conselheiros
André Luiz Pompéia Sturm
Dan Ioschpe
Elias Miguel Haddad
Luiz Carlos Gomes de Moraes
Antero José Pereira
Narciso Moreira Preto
Sylvio Alves de Barros Filho
Vandermir Francesconi Júnior
Massimo Andrea Giavina-Bianchi
Irineu Govêa
Marco Antonio Melchior
Alice Grant Marzano
Marco Antonio Scarasati Vinholi
Sérgio Gusmão Suchodolski
Daniel Bispo Calazans
Superintendente do SESI-SP
Alexandre Ribeiro Meyer Pflug