Quatrocentas obras do tamanho de um selo.
AR · Acervo Rotativo reúne 400 obras em pequeno formato, de cerca de 400 artistas. Nenhuma passa de 5 × 5 cm, ou de 5 × 5 × 5 cm quando é objeto. É um acervo independente: todas as obras foram doadas pelos próprios artistas, e o conjunto circula de cidade em cidade. A curadoria é de Laerte Ramos, o texto de parede é de Natacha Janus e Laerte Ramos, e a realização é do SESI-SP.
No Centro Cultural SESI Ribeirão Preto, a mostra ficou quatro meses em cartaz no foyer do teatro, montada em biombos de pinus. Cada face de biombo tem seis obras emolduradas no alto, seis cubos em caixas de acrílico na prateleira e, entre as duas fileiras, uma faixa de etiquetas. Pintura, desenho, bordado, gravura, cerâmica, fotografia, colagem e objetos: há uma pintura a óleo dentro de uma caixa de fósforo, um objeto feito de cartão de memória, clipes e elásticos, uma pedra falsa de barro seco.
A gm360 fotografou o foyer em 360° e fez o tour da exposição.

O desafio: achar e ler cada obra.
Numa panorâmica do foyer, uma obra de 5 cm ocupa poucos pixels, e a etiqueta embaixo dela fica ilegível. Uma única vista chega a mostrar 24 obras, duas faces de biombo de uma vez. Marcar todas com contornos cobriria a montagem; não marcar nenhuma deixaria o visitante sem saber onde clicar.
O tour precisava responder a duas perguntas: como o visitante encontra uma obra entre 400, e como lê o que está na etiqueta. E precisava fazer isso sem esconder a exposição, que é a soma das obras pequenas no espaço grande.
O que entregamos
- Tour 360° do foyer. 38 vistas, da entrada à fachada, em tourgm360.com.br/ar-rp: 26 diante dos biombos e 12 de circulação.
- Colchetes que aparecem de frente. Cada obra é marcada por quatro cantos, como num visor de câmera, só quando o visitante está de frente para o biombo.
- Uma ficha técnica por obra. As 400, com número, título, artista, técnica, dimensões, formato, ano e país, e a imagem da obra ampliável.
- O Acervo. As 400 obras numa grade, com busca e seis filtros: artista, ano, país, técnica, formato e vista.
- Um link para cada obra. O endereço abre o tour na vista certa, com a obra enquadrada e a ficha aberta.
- Galeria de vistas e mapa 3D do foyer. A faixa de miniaturas no rodapé, uma maquete do foyer com os biombos e um mini-mapa que mostra para onde o visitante está olhando.
- Abertura com o mosaico das 400. Um quadrado de 20 × 20 obras que giram e assentam enquanto o tour carrega.
- Sobre e Créditos. O cartaz, o texto da mostra, o curador, um guia de navegação e a lista de todos os artistas.
Colchetes no lugar de contornos.
A identidade da mostra usa colchetes, como em “[ artistas ]” e “[ Ar: Acervo Rotativo ]”. O tour fez do colchete o seu gesto principal. Cada obra ganha quatro cantos em L, como o enquadramento de um visor.
Os cantos não ficam acesos o tempo todo. Eles surgem devagar quando o visitante para de frente para uma face do biombo, com zoom suficiente para ver as obras, e se apagam quando ele vira para outro lado. A vista fica limpa quando ele está andando e marcada quando ele está olhando.
Ao passar o mouse, os cantos se fecham num contorno completo, em vermelho, e aparece um rótulo com a miniatura, o número, o título e o artista. Um clique abre a ficha. No celular, sem mouse, os colchetes aparecem mais cedo e um toque abre a ficha direto. Na primeira entrada, uma dica avisa: “Fique de frente para um biombo e toque em um item marcado.”
Pelo teclado, Tab percorre só as obras que estão marcadas na tela, na ordem de leitura, da fileira de cima para a de baixo, e Enter abre a ficha. E as setas de navegação no chão que passam por cima de uma obra marcada somem, para não atrapalhar o clique.



Uma ficha para cada obra.
A ficha abre ao lado do panorama, na altura toda da tela. Ela traz o número do acervo (NR 0100-A, por exemplo), o título, o artista, a técnica, as dimensões, o formato (bidimensional ou tridimensional), o ano, o país e a vista em que a obra está. Campo vazio não aparece.
Ao abrir a ficha, a câmera gira até centralizar a obra na parte do panorama que ficou livre e aproxima um pouco. Ao fechar, volta para onde estava. O visitante lê a ficha sem perder a obra de vista.
A imagem da obra abre ampliada, sempre cabendo na tela, e aproxima até cinco vezes: roda do mouse, pinça, duplo toque, arraste e teclado. Numa obra de 5 cm, é aí que aparecem a pincelada, o ponto do bordado e a textura do barro.
Da ficha, o visitante passa para a obra anterior ou para a próxima da mesma face, vê a obra no mapa do foyer ou copia o link dela. Cada obra aberta fica marcada como vista, e o topo do tour conta: “Você viu N de 400”.


Como desenhar uma ficha assim, e o que a instituição precisa enviar para ela existir, está no post sobre a ficha técnica de cada obra no tour 360°.
O Acervo: as 400 obras numa grade.
Andar pelo foyer é um jeito de ver a exposição. Procurar uma obra é outro. O botão Acervo, no topo, abre as 400 obras numa grade, com busca e filtros.
- Busca por título, artista, técnica, número do acervo, país, ano ou vista, sem se preocupar com acento ou maiúscula.
- Filtros combináveis: artista (com busca pelo nome), ano, país, técnica, formato (2D ou 3D) e vista. Cada opção mostra quantas obras ainda sobram com os outros filtros aplicados.
- Ordem por número, por artista de A a Z ou por ano.
- 48 obras por página, com o selo “visto” nas que o visitante já abriu.
As técnicas, escritas por cada artista do seu jeito nas etiquetas (mais de 340 descrições diferentes), foram agrupadas em 11 categorias, de pintura e desenho a cerâmica, têxtil e bordado, fotografia e objeto e escultura. Os países mostram o alcance do acervo: além do Brasil, há artistas da Argentina, do Uruguai, dos Estados Unidos, da Bélgica, da Holanda, da Itália, da França e da Nova Zelândia.
Da grade, a ficha abre com o botão “Ver no tour”, que fecha o Acervo, leva à vista da obra e acende o contorno dela na parede. A busca e os filtros também ficam no endereço: o link do Acervo filtrado só com as obras da Argentina, ou só com os objetos tridimensionais, abre exatamente assim.


O desenho de um catálogo assim, da busca às contagens dos filtros, está no post sobre acervo com busca e filtros no tour 360°.
Um link para cada obra.
Num acervo de cerca de 400 artistas, cada artista é também quem mais quer mostrar a própria obra. Por isso cada uma tem endereço próprio. O botão Copiar link, na ficha, copia o link da obra; no celular, o botão de compartilhar abre o compartilhamento do aparelho.
Quem recebe o link pula a abertura, chega à vista da obra, vê a obra enquadrada na parede e a ficha aberta ao lado. Por exemplo, a obra de Thamyres Donadio, uma pintura a óleo dentro de uma caixa de fósforo.

O mesmo vale para a instituição e para o educativo: há link para uma vista, para o mapa aberto e para o Acervo já filtrado. E na tela de Créditos, a lista de todos os artistas é clicável: um toque no nome abre o Acervo com as obras dele.
Vistas, mapa e mini-mapa.
O foyer tem biombos parecidos entre si, e é fácil perder a noção de onde se está. O tour orienta o visitante de três formas.
- A galeria de vistas. Uma faixa no rodapé com as 38 vistas na ordem do percurso, da entrada à fachada. Cada miniatura mostra a face do biombo de frente, com o nome da vista (“Biombo junto à biblioteca”, “Biombo duplo, parede curva”) e o número de obras.
- O mapa 3D do foyer. Uma maquete vista do alto, com os biombos e as obras de verdade nas faces, montada a partir do esboço de planta e das próprias panorâmicas. Os pinos levam a cada vista, e um cone mostra para onde o visitante está olhando. Clicar numa face de biombo abre um cartão com as obras dela; clicar numa obra abre a ficha.
- O mini-mapa. Uma janela pequena no canto inferior esquerdo, com o recorte da maquete em volta do visitante. O biombo que está de frente para ele acende em vermelho, e o cone gira junto com o olhar. Um toque abre o mapa grande, já com aquela face destacada.



Como uma maquete dessas é feita, e quando ela orienta melhor que uma planta, está no post sobre minimapa 3D no tour virtual.
A abertura: o acervo inteiro numa tela.
O tour abre com um mosaico de 20 × 20 quadradinhos, um para cada obra. Os quadradinhos entram girando, a partir do centro, e assentam. Depois, de tempos em tempos, alguns giram de novo e trocam de obra: é o “rotativo” do nome. Ao lado ficam a marca “[ AR ] acervo rotativo”, a chamada da mostra, o local, a curadoria e o botão Entrar.
Enquanto isso, a primeira vista carrega por trás, com uma barra de progresso discreta. Para quem prefere menos movimento na tela, o mosaico aparece parado.

O que mais pode haver numa tela de abertura está no post sobre a tela de abertura do tour 360°.
Sobre e Créditos, como o cartaz.
As telas Sobre e Créditos têm fundo cor de papel e títulos entre colchetes vermelhos, como o cartaz da mostra. O Sobre traz o cartaz, o local, a curadoria, uma apresentação da mostra, o retrato de Laerte Ramos e um “Como navegar” em cinco linhas: olhar em volta, aproximar, trocar de vista, ver um item e usar o mapa. Os Créditos trazem a ficha da exposição e a lista dos artistas.

No celular.
O tour abre no navegador do celular, sem aplicativo. Na tela em pé, a ficha sobe de baixo e deixa a obra enquadrada na faixa de cima, com uma miniatura ao lado do título; arrastar a alça para cima mostra a ficha inteira, para baixo fecha. O Acervo guarda os filtros atrás de um botão “Filtros” e mostra as obras em duas colunas. O mini-mapa vira só a janela com o cone, e o mapa grande sobe como uma folha.
Ao abrir o Acervo pelo toque, o tour não joga o foco na busca, para o teclado do celular não cobrir a grade.


Como foi feito.
A captura. O foyer foi fotografado em 38 panorâmicas, da fachada e da entrada a cada um dos biombos, às escadas e à recepção.
A lista de obras. A ficha de cada obra saiu das etiquetas impressas da exposição, que são o que o público lia na parede, conferidas com as fichas e a planilha do acervo. O número do acervo é o mesmo em todos os lugares: na etiqueta, na ficha, na foto e no link. O formato, 2D ou 3D, segue a montagem: o que está na parede é bidimensional, o que está na prateleira, tridimensional.
Cada contorno com a sua obra. Cada obra tem um contorno desenhado na panorâmica, e cada contorno precisou ser ligado à obra certa. Nas obras de parede, comparamos a foto de cada obra com o recorte da panorâmica. Nos cubos, atrás do acrílico e com reflexo, valeu o padrão da montagem: em cada fileira de cada face, os números crescem da esquerda para a direita. Depois, as 26 vistas com biombos foram conferidas a olho, contorno por contorno. As 400 obras ficaram ligadas a um contorno, sem repetição.
As imagens. A imagem de cada obra foi recortada da foto original em alta resolução, mantendo o enquadramento quadrado de cada uma, e gerada em três tamanhos: a miniatura, a da ficha e a do zoom. O mosaico da abertura é feito delas.
As faces. As obras de cada lado de biombo foram agrupadas em 35 faces. É a face que decide quando os colchetes aparecem, qual biombo acende no mini-mapa e o que o cartão do mapa mostra.
Para quem serve.
- Para a instituição. A exposição foi desmontada e continua visitável, obra por obra, com link para mandar ao patrocinador, à imprensa ou à prestação de contas. O tour registra no Google Analytics as vistas, as fichas abertas, as imagens ampliadas, o uso do Acervo e do mapa e os links compartilhados.
- Para a curadoria. O acervo inteiro, com a ficha de cada obra, num lugar só, pesquisável por artista, técnica, país e ano, e na posição em que cada obra estava montada.
- Para os artistas. Cada um dos cerca de 400 artistas tem o link da própria obra para divulgar, e o nome na lista dos Créditos.
- Para o educativo e as escolas. O professor manda o Acervo filtrado por técnica, prepara a visita antes de ir ao foyer ou faz a visita inteira em sala, com a turma escolhendo as obras no mapa.
Para quem produz uma exposição coletiva, o que esse tipo de tour pede e como ele se organiza está no post sobre exposição coletiva em tour virtual.
Outras exposições no SESI.
A gm360 fez também o tour da temporada de Terra Terreno Território no SESI Ribeirão Preto e, no SESI Itapetininga, o de Herança Compartilhada e o de Verger e Carybé. As duas primeiras usam a mesma base de interface do Acervo Rotativo, com visita guiada e audiodescrição, porque têm dezenas de obras, e não centenas.
Ficha da exposição
- Curadoria: Laerte Ramos
- Idealização e texto de parede: Natacha Janus e Laerte Ramos
- Realização: SESI-SP
- Local: foyer do teatro do Centro Cultural SESI Ribeirão Preto
- Tour 360°: gm360
Centro Cultural SESI Ribeirão Preto · R. Dom Luís do Amaral Mousinho, 3.465, Castelo Branco, Ribeirão Preto (SP) · abrir o tour



