Uma exposição que já foi desmontada, inteira na tela.

Herança Compartilhada, Brasil e Estados Unidos, tem curadoria de João Kulcsár e foi idealizada para os 200 anos de relações entre os dois países. A mostra é do Espaço Galeria SESI-SP, com apoio do Consulado dos EUA em São Paulo, e reúne 27 fotografias em dois capítulos: acervos históricos (Edward Curtis, Marc Ferrez, Ben Shahn, Russell Lee, José Medeiros e os arquivos de Ellis Island e da Hospedaria de Imigrantes) e olhares cruzados, com oito fotógrafos contemporâneos que viajaram ao outro país.

Em Itapetininga, a exposição ficou montada no Foyer do Teatro do SESI, um ambiente único dividido por biombos. A gm360 capturou o espaço em 26 panoramas e, a partir dessa captação, montou um site próprio da exposição com um tour 360° completo. A mostra já foi encerrada; quem não esteve lá percorre a montagem como ela era, obra por obra.

O que entregamos

  • Site da exposição. Uma página própria em tourgm360.com.br/heranca-compartilhada, na identidade visual da mostra: a pergunta que atravessa o percurso (“Quem está segurando a câmera?”), a curadoria, o vídeo em que João Kulcsár apresenta a exposição (com tradução em Libras, capítulos e transcrição), o arco curatorial, os olhares cruzados, as 27 obras com ficha e áudio e os créditos.
  • Tour 360° em dois modos. Na visita guiada, o tour conduz o visitante pelas 27 paradas, com a audiodescrição de cada obra e botões de avançar e voltar. Na navegação livre, ele anda pelo Foyer pelos pontos no piso e pelas setas, como no Google Maps, e abre qualquer obra pelo contorno numerado.
  • Três idiomas. Interface, fichas e audiodescrição em português, inglês e espanhol. O percurso narrado completo tem cerca de 1h15.
  • Obra por obra. Cada fotografia tem ficha técnica (autoria, acervo, capítulo e núcleo), texto, audiodescrição e transcrição. A imagem da obra pode ser ampliada, e a grade “Todos os itens” marca o que o visitante já viu.
  • Links diretos. As entradas do site levam a uma obra ou a um ponto do Foyer já enquadrado, sem o visitante procurar pelo tour.
  • Medição. O site e o tour enviam ao Google Analytics o início do tour, o modo e o idioma escolhidos, as fichas abertas, os áudios tocados, cada parada do roteiro guiado e a conclusão do percurso.

A navegação foi pensada para o celular, onde está a maior parte do público.

Uma obra, três vozes.

Esta é a primeira parada do percurso: o pajé Crow que Edward Curtis fotografou em 1908, com a mesma narração que o visitante ouve no tour, em português, inglês e espanhol. Antes de contar a história da imagem, a narração descreve o que está nela: o perfil, os colares de conchas, o disco branco no peito, a luz de estúdio. As três versões andam juntas, parágrafo por parágrafo, e por isso o idioma pode mudar no meio da fala sem o visitante perder o fio.

Retrato em sépia de um pajé Crow de perfil, com colares de conchas em camadas, um grande disco branco no peito e uma pele de animal amarrada no alto da cabeça, sobre fundo neutro

O Pajé e a Câmera

Edward Curtis · Pajé Crow · 1908

Library of Congress

Capítulo I · Heranças indígenas

The Medicine Man and the Camera

Edward Curtis · Crow Medicine Man · 1908

Library of Congress

Chapter I · Indigenous Heritage

El Chamán y la Cámara

Edward Curtis · Chamán Crow · 1908

Library of Congress

Capítulo I · Herencias indígenas

Audiodescrição 3 idiomas

Dê o play e troque o idioma no meio da frase.

Idioma da narração

Transcrição

  1. Começamos a Herança Compartilhada por aqui, e não é por acaso.

  2. Antes de qualquer navio, antes de qualquer fronteira desenhada em mapa, o Brasil e os Estados Unidos já eram territórios habitados. As duas nações que em 2024 celebram duzentos anos de relações diplomáticas têm, na origem, o mesmo fato incontornável: alguém já estava aqui. E as duas construíram, mais ou menos na mesma época e com câmeras parecidas, uma maneira muito específica de olhar para esse alguém.

  3. O homem que você vê de perfil é um pajé Crow — Apsáalooke, no nome que o povo dá a si mesmo. Edward Curtis o fotografou em 1908, em pleno curso daquele projeto monumental e ambíguo que ocupou trinta anos da sua vida: registrar o que ele acreditava ser uma raça em desaparecimento. Repare em tudo o que a imagem oferece: a pele curtida por décadas de sol e vento, os colares de conchas em camadas, o grande disco branco no peito, os brincos, a pele de animal amarrada no alto da cabeça, a haste diagonal cruzando o canto inferior da fotografia.

  4. E repare, sobretudo, em uma coisa: ele não olha para nós.

  5. Curtis quase sempre fazia assim. O perfil, a luz suave de estúdio, o fundo neutro cor de areia, o tom sépia aquecido. É um retrato de uma beleza inegável — e é também uma construção. Curtis removia objetos de fábrica das cenas, emprestava trajes, pedia poses. Ele não estava documentando um presente; estava compondo um passado. Um passado nobre, solene, sem relógio de pulso e sem trem passando ao fundo.

  6. Aqui está a primeira pergunta que esta exposição coloca, e que vai voltar em cada uma das imagens do percurso: quem segura a câmera? Porque a fotografia nunca é só o que está diante da lente. É também a intenção de quem aperta o botão, o mercado que vai comprar aquela imagem, a história que um país quer contar sobre si mesmo.

  7. O rosto deste homem atravessou mais de um século e chegou até esta parede em Itapetininga. Ele sobreviveu ao fotógrafo, sobreviveu à tese do desaparecimento — os Crow estão vivos, e você vai reencontrar povos indígenas mais adiante nesta exposição, agora com a câmera em outras mãos.

  8. Guarde esta imagem na memória. Quando chegar ao fim do percurso, um fotógrafo Comanche e um fotógrafo Xavante terão invertido completamente esta relação.

Português 2:32

Transcrição

Começamos a Herança Compartilhada por aqui, e não é por acaso.

Antes de qualquer navio, antes de qualquer fronteira desenhada em mapa, o Brasil e os Estados Unidos já eram territórios habitados. As duas nações que em 2024 celebram duzentos anos de relações diplomáticas têm, na origem, o mesmo fato incontornável: alguém já estava aqui. E as duas construíram, mais ou menos na mesma época e com câmeras parecidas, uma maneira muito específica de olhar para esse alguém.

O homem que você vê de perfil é um pajé Crow — Apsáalooke, no nome que o povo dá a si mesmo. Edward Curtis o fotografou em 1908, em pleno curso daquele projeto monumental e ambíguo que ocupou trinta anos da sua vida: registrar o que ele acreditava ser uma raça em desaparecimento. Repare em tudo o que a imagem oferece: a pele curtida por décadas de sol e vento, os colares de conchas em camadas, o grande disco branco no peito, os brincos, a pele de animal amarrada no alto da cabeça, a haste diagonal cruzando o canto inferior da fotografia.

E repare, sobretudo, em uma coisa: ele não olha para nós.

Curtis quase sempre fazia assim. O perfil, a luz suave de estúdio, o fundo neutro cor de areia, o tom sépia aquecido. É um retrato de uma beleza inegável — e é também uma construção. Curtis removia objetos de fábrica das cenas, emprestava trajes, pedia poses. Ele não estava documentando um presente; estava compondo um passado. Um passado nobre, solene, sem relógio de pulso e sem trem passando ao fundo.

Aqui está a primeira pergunta que esta exposição coloca, e que vai voltar em cada uma das imagens do percurso: quem segura a câmera? Porque a fotografia nunca é só o que está diante da lente. É também a intenção de quem aperta o botão, o mercado que vai comprar aquela imagem, a história que um país quer contar sobre si mesmo.

O rosto deste homem atravessou mais de um século e chegou até esta parede em Itapetininga. Ele sobreviveu ao fotógrafo, sobreviveu à tese do desaparecimento — os Crow estão vivos, e você vai reencontrar povos indígenas mais adiante nesta exposição, agora com a câmera em outras mãos.

Guarde esta imagem na memória. Quando chegar ao fim do percurso, um fotógrafo Comanche e um fotógrafo Xavante terão invertido completamente esta relação.

English 2:26

Transcript

We begin Herança Compartilhada here, and not by chance.

Before any ship, before any border drawn on a map, Brazil and the United States were already inhabited territories. The two nations that in 2024 celebrate two hundred years of diplomatic relations share, at their origin, the same inescapable fact: someone was already here. And both constructed, around the same time and with similar cameras, a very specific way of looking at that someone.

The man you see in profile is a Crow medicine man — Apsáalooke, in the name the people call themselves. Edward Curtis photographed him in 1908, in the middle of that monumental and ambiguous project that occupied thirty years of his life: documenting what he believed to be a disappearing race. Notice everything the image offers: the skin weathered by decades of sun and wind, the layered shell necklaces, the large white disc on his chest, the earrings, the animal hide bound at the top of his head, the diagonal staff crossing the lower corner of the photograph.

And notice, above all, one thing: he is not looking at us.

Curtis almost always worked like this. The profile, the soft studio light, the neutral sand-colored background, the warm sepia tone. It is a portrait of undeniable beauty — and it is also a construction. Curtis removed factory-made objects from the scenes, loaned attire, requested poses. He was not documenting a present; he was composing a past. A noble, solemn past, with no wristwatch and no train passing in the background.

Here is the first question this exhibition poses, one that will return in each of the images along the tour: who holds the camera? Because photography is never just what stands in front of the lens. It is also the intention of the person pressing the button, the market that will buy that image, the story a country wants to tell about itself.

The face of this man crossed more than a century to reach this wall in Itapetininga. He survived the photographer, survived the thesis of disappearance — the Crow are alive, and you will meet Indigenous peoples again later in this exhibition, now with the camera in other hands.

Keep this image in your memory. When you reach the end of the tour, a Comanche photographer and a Xavante photographer will have completely inverted this relationship.

Español 2:28

Transcripción

Comenzamos Herencia Compartida por aquí, y no es por casualidad.

Antes de cualquier navío, antes de cualquier frontera trazada en un mapa, Brasil y los Estados Unidos ya eran territorios habitados. Las dos naciones que en 2024 celebran doscientos años de relaciones diplomáticas tienen, en su origen, el mismo hecho ineludible: alguien ya estaba aquí. Y ambas construyeron, más o menos en la misma época y con cámaras semejantes, una manera muy específica de mirar a ese alguien.

El hombre que usted ve de perfil es un chamán Crow — Apsáalooke, en el nombre que el propio pueblo se da a sí mismo. Edward Curtis lo fotografió en 1908, en pleno curso de aquel proyecto monumental y ambiguo que ocupó treinta años de su vida: registrar lo que él creía que era una raza en extinción. Observe todo lo que la imagen ofrece: la piel curtida por décadas de sol y viento, los collares de conchas superpuestos, el gran disco blanco sobre el pecho, los aretes, la piel de animal atada en lo alto de la cabeza, la vara en diagonal cruzando la esquina inferior de la fotografía.

Y observe, sobre todo, una cosa: él no nos mira.

Curtis casi siempre lo hacía así. El perfil, la luz suave de estudio, el fondo neutro color arena, el tono sepia cálido. Es un retrato de una belleza innegable — y es también una construcción. Curtis retiraba objetos industriales de la escena, prestaba vestimentas, pedía poses. No estaba documentando un presente; estaba componiendo un pasado. Un pasado noble, solemne, sin reloj de pulsera y sin tren pasando al fondo.

Aquí está la primera pregunta que esta exposición plantea, y que volverá en cada una de las imágenes del recorrido: ¿quién sostiene la cámara? Porque la fotografía nunca es solo lo que está delante del lente. Es también la intención de quien presiona el botón, el mercado que comprará esa imagen, la historia que un país quiere contar sobre sí mismo.

El rostro de este hombre atravesó más de un siglo y llegó hasta esta pared en Itapetininga. Sobrevivió al fotógrafo, sobrevivió a la tesis de la desaparición — los Crow están vivos, y usted volverá a encontrar pueblos indígenas más adelante en esta exposición, ahora con la cámara en otras manos.

Guarde esta imagen en la memoria. Cuando llegue al final del recorrido, un fotógrafo Comanche y un fotógrafo Xavante habrán invertido por completo esta relación.

Ouvir no tour, em português (abre em nova aba)

Na prática, para quem expõe

  1. Visitante estrangeiro, sem monitor bilíngue

    Turistas, intercambistas e convidados de fora ouvem a curadoria inteira na própria língua, a qualquer hora, sem depender de quem estiver de plantão na galeria.

  2. Acessibilidade que se ouve e se lê

    A narração descreve a imagem para quem não enxerga ou enxerga pouco, e a transcrição acompanha a fala para quem não ouve.

  3. Contrapartida que aparece

    Mostras com apoio internacional ou lei de incentivo costumam ter metas de acessibilidade e alcance. Aqui elas viram um link para mandar ao patrocinador, ao consulado ou à prestação de contas.

  4. Dado para a próxima mostra

    O Analytics registra o idioma escolhido e cada áudio tocado: o expositor sabe quem ouviu em inglês ou em espanhol, e até onde foi.

A interface, tela por tela.

O site da exposição

Página inicial do site Herança Compartilhada: o lettering da exposição sobre uma foto do Foyer, com os botões Visita guiada 360° e Explorar livremente
Abertura do site · visita guiada ou navegação livre
Seção O curador apresenta, com o vídeo de João Kulcsár e a lista de capítulos com transcrição ao lado
Vídeo do curador · capítulos e transcrição
Seção As 27 obras do site, com filtros por núcleo e a grade de fotografias numeradas
As 27 obras · filtros por núcleo, ficha e áudio

O tour 360°

Tela de abertura do tour, com a escolha do idioma (português, inglês ou espanhol) e do modo: navegação guiada ou livre
Abertura do tour · idioma e modo de navegação
Visita guiada na parada 1 de 27: a obra O Pajé e a Câmera destacada na cena, com a ficha, o player de audiodescrição e a transcrição no painel ao lado
Visita guiada · parada, audiodescrição e transcrição
Navegação livre com a ficha da obra Lembrança do Bixiga, de Jay Colton, aberta: imagem ampliável, autoria, capítulo e audiodescrição
Ficha da obra · faixa com os 27 itens embaixo
Grade Todos os itens do tour, com as fotografias numeradas e a marcação de visto ou não visto
Todos os itens · o que já foi visto fica marcado
Três telas do tour no celular: a abertura com idioma e modo, a visita guiada na parada 10 e a navegação livre com a faixa de itens
No celular · abertura, visita guiada e navegação livre

O Foyer continua aberto.

A montagem foi desfeita, mas a exposição segue visitável no site da Herança Compartilhada, a qualquer hora, no celular ou no computador: as 27 obras, os textos de parede, a ficha técnica e a voz de cada fotografia em três idiomas.