Uma obra exposta tem quase sempre uma etiqueta ao lado: título, artista, técnica, dimensões, ano. Na sala, o visitante chega perto e lê. Na panorâmica, a mesma etiqueta vira meia dúzia de pixels. Por mais nítida que seja a captura, ninguém lê uma etiqueta de parede num 360° do salão inteiro.

A ficha técnica dentro do tour resolve isso. O visitante toca na obra e a etiqueta abre ao lado, legível, com a imagem da obra em alta resolução. Este post é para quem produz a exposição: mostramos o que a ficha mostra, como ela se comporta e o que a instituição precisa enviar para ela existir, a partir do tour do AR · Acervo Rotativo, no SESI Ribeirão Preto, onde são 400 obras de até 5 cm, cada uma com a sua ficha.

Biombo de pinus visto de perto, com seis obras no alto, a faixa de etiquetas impressas no meio e um cubo de acrílico na prateleira em primeiro plano
Na sala · a etiqueta fica a um palmo da obra

A etiqueta não cabe na panorâmica

No Acervo Rotativo, cada face de biombo tem seis obras emolduradas no alto, seis cubos em caixas de acrílico na prateleira e, entre as duas fileiras, uma faixa de etiquetas. No foyer, a etiqueta fica a um palmo da obra. Na panorâmica, as letras ficam pequenas demais para ler, e a obra de 5 cm ocupa poucos pixels.

Em exposições de obras maiores o problema é o mesmo, só que menos visível. A tela de um metro aparece bem na panorâmica; a etiqueta ao lado dela, não. E é na etiqueta que estão o nome do artista e o título, o que o visitante mais procura.

O que a ficha mostra

No tour do Acervo Rotativo, a ficha abre num painel ao lado do panorama, na altura toda da tela. De cima para baixo:

  • O número do acervo, em letra monoespaçada, como num catálogo: NR 0100-A, por exemplo. É o mesmo número da etiqueta.
  • Título e artista.
  • Técnica e dimensões, como na etiqueta.
  • Formato: bidimensional, para o que está na parede, ou tridimensional, para o que está na prateleira.
  • Ano e país.
  • A vista do tour em que a obra está.
  • A imagem da obra, que abre ampliada.

Campo vazio não aparece. Se uma obra não tem ano, a linha do ano some, em vez de mostrar um traço ou um “não informado”.

Os campos mudam de exposição para exposição. Em Terra Terreno Território, na FIESP, a ficha traz título, aldeia ou local e etnia, porque é isso que a mostra diz de cada retrato. Em Herança Compartilhada, do SESI, autoria, acervo, capítulo e núcleo. A ficha segue a lógica da curadoria, não um modelo fixo.

Ficha da obra Janelas: Malu, de Thamyres Donadio, aberta ao lado do panorama, com número do acervo, técnica, dimensões, formato, país e vista, e a obra enquadrada em vermelho no biombo
No tour · a ficha ao lado, a obra enquadrada no biombo

A câmera vai até a obra

Abrir a ficha não tira o visitante da sala. No Acervo Rotativo, ao abrir a ficha, a câmera gira até centralizar a obra na parte do panorama que ficou livre ao lado do painel e aproxima um pouco. A obra fica enquadrada, com o contorno aceso em vermelho, enquanto o visitante lê. Ao fechar a ficha, a vista volta para onde estava.

Da ficha, o visitante passa para a obra anterior ou para a próxima da mesma face de biombo, sem fechar o painel. É o equivalente a dar um passo para o lado na exposição. Também dá para ver a obra no mapa do foyer, que acende o biombo em que ela está.

A imagem, ampliada até o detalhe

A panorâmica mostra o espaço. Para o detalhe da obra, a ficha usa outra imagem: a foto da própria obra, em alta resolução.

No Acervo Rotativo, a imagem abre ampliada, sempre cabendo na tela, e aproxima até cinco vezes. No computador, pela roda do mouse, centrada onde está o cursor; no celular, pela pinça. Duplo clique ou duplo toque aproxima o ponto; arrastar move a imagem, que nunca sai da tela; as teclas mais, menos, zero e as setas também funcionam.

Numa obra de 5 cm, é aí que aparecem a pincelada, o ponto do bordado, a textura do barro. A imagem chega em três tamanhos, conforme a necessidade: uma miniatura borrada que aparece na hora, a imagem da ficha e a do zoom, só quando o visitante pede.

Foto ampliada da obra Janelas: Malu, uma caixa de fósforo pintada a óleo em verde, rosa e marrom dentro da caixa de acrílico, com os botões de aproximar, afastar e ajustar à tela
Zoom · a caixa de fósforo pintada a óleo, de perto

Cada ficha tem o botão Copiar link. O link abre o tour já na vista da obra, sem passar pela abertura, com a obra enquadrada na parede e a ficha aberta ao lado. Por exemplo, esta obra de Thamyres Donadio, uma pintura a óleo dentro de uma caixa de fósforo.

Numa exposição com centenas de artistas, esse link trabalha pela mostra. Cada artista divulga a própria obra no Instagram, no WhatsApp, no portfólio. Cada link leva a quem clica para dentro da exposição, e não só para a obra: dali, o visitante anda pelo foyer, abre o Acervo e vê as outras 399.

Em Terra Terreno Território, o caminho também existe no sentido do site para o tour: cada ficha do site da exposição tem o botão “Ver na exposição em 360°”, que abre o tour enquadrado naquela obra. Os links por ambiente, que levam a uma sala ou a um salão, estão em um link para cada ambiente do tour.

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Como chegar à ficha

A ficha só ajuda se o visitante souber onde tocar. Num tour com poucas obras, o contorno de cada uma pode ficar sempre aceso. Com muitas, não: no Acervo Rotativo, uma vista chega a ter 24 obras, e 24 contornos cobririam a montagem.

Ali, cada obra é marcada por quatro cantos em L, como um visor de câmera, que só aparecem quando o visitante está de frente para o biombo. Ao passar o mouse, os cantos se fecham num contorno e mostram o título e o artista; um clique abre a ficha. Pelo teclado, Tab percorre as obras marcadas e Enter abre a ficha.

Há outros dois caminhos até ela: o Acervo, com as 400 obras numa grade com busca e filtros, que está em acervo com busca e filtros no tour 360°, e o link de cada obra.

O que a instituição envia

A ficha é feita de dados, e os dados vêm da exposição. Antes da produção, vale reunir:

  1. A lista de obras, numa planilha, com uma linha por obra e uma coluna para cada campo da ficha.
  2. Um número por obra, o mesmo da etiqueta e do nome da foto. É ele que liga a linha da planilha, a imagem e o contorno na panorâmica.
  3. Uma foto de cada obra, em boa resolução, de frente e sem reflexo.
  4. A fonte certa quando houver divergência. No Acervo Rotativo, havia três fontes para cada obra: a etiqueta impressa, uma ficha de texto e uma planilha. A etiqueta, que é o que o público lia na parede, prevaleceu, e as outras serviram para conferir.
  5. Quem revisa. Alguém da curadoria ou da produção confere a grafia dos nomes e dos títulos antes de publicar.

A ficha fica separada das panorâmicas. Corrigir um título depois de publicado é um ajuste nos dados, sem nova captura.

Quando a ficha ganha áudio

A ficha pode ir além da etiqueta. Em Herança Compartilhada, cada uma das 27 obras tem texto, audiodescrição e transcrição, em português, inglês e espanhol. Em Terra Terreno Território, 20 das 57 obras têm audiodescrição, todas na visita guiada.

O áudio pede um roteiro e uma gravação por obra, e por isso combina com exposições de dezenas de obras. Com 400, como no Acervo Rotativo, a ficha fica na etiqueta, e o trabalho vai para a busca, os filtros e o mapa. Como organizar uma exposição desse tamanho no tour está em exposição coletiva em tour virtual.

O que a gm360 faz para museus e exposições está na página de tour virtual para museus e exposições, e o que entra em qualquer tour personalizado, na de tour virtual 360°. O tour é publicado em até 7 dias úteis depois da captura.